Mateus Solano, O vilão que salgou a Santa Ceia

Data da postagem: 24/02/2014 | Nº de Visualizações: 913
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Matheus SolanoMateus Solano é o ator do momento. No ar em “Amor à Vida”, trama das 21h, na TV Globo, ele interpreta o vilão Félix Khoury, um homem cruel, calculista, com fixação pelo poder, capaz de jogar um bebê no lixo e com uma boa dose de ironia. Em sua personalidade, o personagem traz os principais traços de Carminha, o furacão de “Avenida Brasil” que conquistou o país em 2012. Na trama de Walcyr Carrasco, o ardiloso Félix já provou que tem tudo para dar continuidade ao legado da personagem imortalizada por Adriana Esteves. Com uma pequena diferença: o ator encarna o primeiro vilão homossexual do horário nobre.

Filho de um embaixador e de uma psicóloga, Mateus Solano tem 32 anos, nasceu em Brasília, mas cresceu no Rio de Janeiro. Co­meçou a estudar teatro aos 15 anos e se formou em artes cênicas pela UniRio. Na TV, Mateus começou fazendo participações em programas, séries e novelas como “A Diarista”, “Linha Direta”, “Sob Nova Direção”, “Casos e Acasos”, “Pé na Jaca”, “Paraíso Tro­pical”, “Malhação” e ” JK”. Seu primeiro papel de destaque foi em 2009, na minissérie “Maysa - Quando Fala o Coração”, em que interpretou o compositor Ronaldo Bôscoli. Depois do bom desem­penho nesse trabalho, foi convidado para atuar na novela “Viver a Vida” (2009), de Manoel Carlos. Nesse trabalho ele interpretou duas personagens, os gêmeos idênticos Jorge e Miguel, um grande desafio, em que ele mostrou um ótimo desempenho, com elogios do público e da crítica.

O astro considera Félix o maior desafio de sua carreira, que completa dez anos em 2013. “Ele não tem limites e, ao mesmo tempo, tem um humor danado. É um desafio que o Walcyr colocou na minha mão. Ele até me disse: “Quero ver o que você faz com esse personagem’”, diz Mateus, completando que está se divertin­do muito fazendo o Félix, não só na maldade, mas nas inúmeras piadas e no humor usado pelo autor, o que proporciona a Mateus usar sua veia cômica.

O público concorda. Apesar de achar abominável o comporta­mento do vilão, é unânime ao dizer que se rendeu a comicidade e talento do ator. Mateus conta que nunca se esquecerá de uma peça infantil em que fazia o vilão, e, no final, as crianças vaiaram. “ No começo eu estranhei, mas no dia seguinte, percebi que esse foi o melhor aplauso que eu poderia receber. O espetáculo era a “A Bela e a Fera”, eu fazia o Gaston. Existe um fenômeno com os vilões que, por um lado é compreensivo e, por outro, preocupante: há cinquenta anos, torcíamos mais pelo mocinho. Hoje, a gente torce pelas maldades do vilão tam­bém. Você percebe uma so­ciedade com valores cada vez mais distorcidos” diz, con­fidenciando que o que mais ouve na rua é: “tô adorando te odiar!”.

Ao fazer a pesquisa para a composição do personagem, ele explica que viu alguns filmes sobre a maldade e o Nazismo, uma pequena refe­rência que buscou, já que o poder é sedutor. Sobre inter­pretar um gay enrustido, o ator diz que ele foi construído a dez mãos. “O Walcyr [Carrasco] escreveu, o Mauro [Mendonça Filho, diretor da novela], definiu os trejeitos junto comigo. O Sérgio [Penna, preparador de ato­res] me ajudou muito a entender o lado humano do Félix. E o Wolf [Maya, diretor de núcleo] entrou para tirar ele do armário” Agora, Mateus já colhe bons frutos de seu personagem. “Muitos amigos chegam para me dizer que conhecem esse cara. Às vezes, a pessoa dá pinta e não é gay. Ou é casada com uma mulher e é”, disse. Para o ator, a família de Félix é “cega e doente, que não percebe uma filha grávida dentro de casa e um filho gay que está ali gritando, dando pinta.

“Félix foi escrito para ser um sucesso, eu tinha o compromisso de acertar de cara”, conta, lembrando que no início estava muito inseguro com o personagem. “Eu lembro que no dia do primeiro capítulo, eu estava com falta de ar e muito tenso, mas logo em seguida eu percebi o tom certo para ele e me senti mais seguro”.

Com toda exposição que a fama lhe trouxe, Mateus confessa que na verdade ser famosos não é legal e que isso acaba com a sua individualidade. “Bom, a fama em si não tem lado bom não. O legal é o reconhecimento do seu trabalho. Ser famoso não é bom, você perde a sua individualidade. A minha vida é um cons­tante laboratório, e com a fama eu deixo de observar para ser observado. Eu termino perdendo um pouco da naturalidade, mas isso faz parte. É uma grande encenação da vida pública”, revelou o ator.

Além da novela, Mateus Sola­no está em cartaz com a peça “Do tamanho do mundo”. O texto é de autoria de sua es­posa, Paula Braun, primeira realização com atores, diretor e produtores chamados por ele próprio. “Será uma tem­porada de três meses no Espaço Tom Jobim, que fica no Jardim Botânico. Desgasta um pouco con­ciliar com a novela, mas precisamos aproveitar enquanto a gente pode” fala sorrindo, mostrando que o carisma é um de seus dons.


Grande no tamanho (“tenho 1,89 e meio de altura”) e na simpa­tia, Solano comprova sua que não é por mero acaso que se tornou um dos maiores atores bra­sileiros e que o sucesso bombástico de seu atual personagem é fruto de muito empenho, talento e espontaneidade.

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