Thiago Fragoso: Viver é o que há!

Data da postagem: 24/02/2014 | Nº de Visualizações: 1287
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Quase dois anos após o aci­dente que sofreu durante uma apresentação do es­petáculo “Xanadu”, Thiago Frago­so voltou com tudo a televisão e já conquistou a torcida do público com o personagem Niko, na novela “ Amor à Vida “, da TV Globo.

Aos onze, este carioca da Tijuca, começou carreira profissional com o musical Os Sinos da Candelária, baseado no massacre de meninos de rua na igreja carioca em 1993. Desde então não parou mais e hoje colhe as glórias de, praticamente, interpretar o personagem que fará o primeiro triângulo gay da história da televisão.

Tiago afirma que o trabalho o ajudou em sua recuperação. O ator despencou de uma altura de quase cinco metros após os cabos que o suspendiam em cena se romperem em cima da plateia. “Voltei a tra­balhar muito mais cedo do que es­perava, antes de estar recuperado. Voltei por paixão, porque sou per­tinaz mesmo e isso me ajudou na recuperação”, diz. Após o acidente, ele trabalhou em “Lado a Lado” e, atualmente, é o queridinho do pú­blico em “Amor à Vida”. O artista assumiu que não faria qualquer coi­sa por um personagem e que o aci­dente o deixou mais rigoroso com questões de segurança: “Não gosta­ria de fazer nada que me deixasse constrangido. Hoje em dia eu sou muito mais criterioso com minha segurança física no trabalho, tam­bém”.

Vivendo um homossexual na no­vela das nove, Thiago contou que não quis entregar uma atuação ca­ricata. “Queria algo que não fosse caricato e que tivesse tragédias pessoais importantes, como todos nós. “Acho que a novela está con­tribuindo muito para esclarecer as pessoas sobre seus próprios precon­ceitos”, avaliou. O retorno positivo do público tem deixado o ator ani­mado. “Acho o máximo conversar com as pessoas e perceber que o meu trabalho consegue atravessar longas distâncias e emocionar tan­ta gente. Fico muito tocado com isso”, diz.

Para Thiago, é sempre bom po­der ficar em frente às câmeras. “É muito bom entrar em cena. E os fins também são inesquecíveis. Quando um trabalho acaba entro em um pequeno luto pelo personagem que deixa de existir”. No futuro, ele pensa em fazer papeis não tão fre­quentes em sua carreira. “Queria fazer mais Shakespeare, mais cine­ma, mais vilões. Esse fulgor interno é que permite que o ator se rein­vente e chegue a lugares diferentes em sua carreira, sob o meu ponto de vista”, analisou, lembrando o início de sua carreira. “Comecei fazendo aulas de teatro na Tijuca, onde morava. O meu primeiro espe­táculo profissional veio através de um anúncio no jornal, visto pela mi­nha tia, que convocava atores para fazer teste para um musical sobre a chacina da Candelária. Fiz o teste, passei e nunca mais parei”. Segundo o ator, não foi fácil se firmar na profissão. “Até pouco tempo atrás eu ainda fazia alguns trabalhos sem ganhar ou até pagava para trabalhar porque achava que teria um ganho artístico com aqui­lo”, contou.

Em “Amor à Vida” a torcida para que seu per­sonagem Niko, não volte para o ex- companheiro Eron (Marcello Antony), que o traiu com Amarilys (Danielle Winits) é forte. Uma pesquisa popular aponta que o ator tem tanta aceitação nos lares tradicionais quanto junto ao público gay. E pelo voto popular, Niko terminará com Félix (Mateus Solano), o ex-vilão que “Salgou a santa ceia”.

O ator revela que gosta do rumo que seu per­sonagem está trilhando na trama de Walcyr Car­rasco. “Torço muito pelo casal, também porque é muito bom trabalhar com o Mateus. A gente tem uma puta química, uma troca legal e se diverte fazendo as cenas. Conseguimos criar uma rela­ção de cumplicidade muito grande”, disse Fra­goso. Já sobre o tão polêmico e comentado beijo gay, Thiago comentou o que acha caso aconteça: “Seria muito legal, um barato. Seria chocante, porque a sociedade é muito conservadora. Não sei se vai contar ponto a favor ou contra, mas na teledramaturgia, como um conceito, seria muito bom. E a gente ia gostar de fazer, é um desa­fio. Se rolar, deve ser com o Mateus, porque as pessoas ficaram muito decepcionadas com Eron. Acredito que o público não vá perdoá-lo”.

Em relação à construção do personagem, o ator conta que foi mui­to cuidadoso: “Eu tinha um Niko na minha cabeça e eu briguei por ele a novela in­teira. Mesmo depois de o personagem ter acontecido, posso ver uma cena e falar: “acho que fiz ele muito afe­tado”. Vou para a sala de revisão ver se é isso mesmo. Na maioria das vezes, é coisa da minha cabeça. É porque eu sou tão preocupado em não debochar, que, às vezes, acho que exagerei”. Além disso, ele revela que, antes mesmo de Niko, já tinha vontade de viver um homossexual na TV: “Eu me envolvo com a causa gay através do Niko. Tem muito tempo que eu queria fazer isso. Graças a Deus estou fazendo dessa maneira. Eu sempre achei que é preciso ter direitos iguais. A sexualidade, o que cada pessoa faz com a sua vida particular, ainda mais na vida sexual... Ninguém tem nada a ver com isso. Isso não tem que afetar as outras pessoas”.

Falando em preconceito, Tiago esteve do ou­tro lado da história ao interpretar uma mulher no seriado Sexo Frágil. Ele conta que dá muito trabalho ser mulher: “Nossa... (risos) Deu muito trabalho. Eu fiquei 10 horas na caracterização em um dos episódios. Foi uma experiência in­crível fazer o programa. O elenco era espeta­cular: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Lucio Mau­ro Filho, Bruno Garcia... Eu estava muito bem parado com meus “pretendentes” no programa. (Risos)” diz, enfatizando que tem certeza que o mundo seria melhor se as mulheres tivessem mais poder político e econômico na sociedade. “Concordo que não são frágeis. Nunca foram... São muito fortes”.

Perguntado como lida com o assédio e como se protege da exposição da sua vida privada, o ator declara que o assédio respeitoso não lhe in­comoda. “Sempre me pautei pelo meu trabalho, não me considero uma celebridade. Sou um ator. Isso ajuda a não misturar as bolas... “. E o que Tiago faria por Amor à vida? A resposta é sim­ples: “Por amor à vida eu faria qualquer sacri­fício que não significasse detrimento para outra pessoa. Viver é o que há!”.

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